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Desconforto - por Talita Olivieri


A procura.

De madrugada procuro alguma coisa 
Que não sei o que é
Na madrugada sozinha eu procuro
Por um sonho perdido
Um amor esquecido
Um poema não lido
Procuro nas frestas, nas festas
Cansada
Cansada por não encontrar
Por duvidar
E ter certeza que jamais vou achar
Fico nesse eterno procurar
Por algo que me falta
Que me faz falta
Mas que eu não sei nomea
r



Escrito por Talita Olivieri às 12h29
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um café quente

um amor quente

sou um ato de ousadia

em um mundo morno


(Zack Magiezi)



Escrito por Talita Olivieri às 12h24
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A vida na hora

A vida na hora.
Cena sem ensaio.
Corpo sem medida.
Cabeça sem reflexão.

Não sei o papel que desempenho.
Só sei que é meu, impermutável.

De que trata a peça
devo adivinhar já em cena.

Despreparada para a honra de viver,
mal posso manter o ritmo que a peça impõe.
Improviso embora me repugne a improvisação.
Tropeço a cada passo no desconhecimento das coisas.
Meu jeito de ser cheira a província.
Meus instintos são amadorismo.
O pavor do palco, me explicando, é tanto mais humilhante.
As circunstâncias atenuantes me parecem cruéis.

Não dá para retirar as palavras e os reflexos,
inacabada a contagem das estrelas,
o caráter como o casaco às pressas abotoado -
eis os efeitos deploráveis desta urgência.

Se eu pudesse ao menos praticar uma quarta-feira antes
ou ao menos repetir uma quinta-feira outra vez!
Mas já se avizinha a sexta com um roteiro que não conheço.
Isso é justo - pergunto
(com a voz rouca
porque nem sequer me foi dado pigarrear nos bastidores).

É ilusório pensar que esta é só uma prova rápida
feita em acomodações provisórias. Não.
De pé em meio à cena vejo como é sólida.
Me impressiona a precisão de cada acessório.
O palco giratório já opera há muito tempo.
Acenderam-se até as mais longínquas nebulosas.
Ah, não tenho dúvida de que é uma estreia.

E o que quer que eu faça,
vai se transformar para sempre naquilo que fiz.

(Wislawa Szymborska)



Escrito por Talita Olivieri às 12h20
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Vou testando palavras

Procurando formsas

Tirando significados

Pra tentar dizer

O que eu nem sei que sinto

De tanto que é

Eu sinto muito



Escrito por Talita Olivieri às 21h41
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Seguindo

Porque estou dilacerada que fico muda
melhor nem dizer
não revelar
o abismo que se abriu entre mim e eu mesma
entre o ontem e o agora
angústia
silêncio
e o medo antigo
escondido em lágrimas discretas
ódio que de tão grande
explode pele à fora
não cabe em mim
sucumbe
sucumbo
e continuo
seguindo em frente
que no passado
há um inimigo



Escrito por Talita Olivieri às 21h39
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As vezes falta verbo
As vezes falta laço
As vezes falta espaço
É rima que falta
É sonho que volta
Desejo sufoca
Coragem
De sobra



Escrito por Talita Olivieri às 21h33
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Estou de volta.

Estou de volta lápis e papel

Me receba, pois é hora de voltar

Soltar os gritos

Espernear as mágoas

Escoar os prantos

É chegada a hora de pôr os pingos nos is

De voltar a si

Acordar do sonho

Sacudir

Ver o que sobrou

Fazer as contas do que ganhou

E viver

Abraçar o mundo

Descobrir caminhos

Conquistar

Estou de volta lápis e papel

Você será novamente meu companheiro

Obrigada por ainda estar aqui

e me receber de volta

Pois você é tudo que eu tenho

E prometo não te abandonar mais

nos melhores momentos

 

 



Escrito por Talita Olivieri às 17h39
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"A cama é um móvel metafísico."

(Nelson Rodrigues)



Escrito por Talita Olivieri às 21h19
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Meu amor

Era uma vez
uma poesia
que eu faria para te alegrar
e falaria sobre o nosso amor
Uma poesia
com rimas ricas
palavras belas 
e muito coração
Poesia tipo declaração
dessas que pessoalmente
faltam palavras
Poesia que chegasse como um beijo
pra aquecer o corpo
corar o rosto
inundar de paixão
Onde coubesse 
todo amar do nosso amor
Era uma vez
uma poesia feita pra você



Escrito por Talita Olivieri às 21h15
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Faça o que tu queres...

Amanhã é dia de acordar sem despertador
Fazer o que dá na telha
Ler tudo e não ler nada
Sair correndo e voltar a hora que quiser
Tomar banho de porta aberta
Tomar cerveja 
Tomar chuva
E não tomar nada
Amanhã é dia de contar estrelas
De contar histórias
Ouvir música sem medo de ficar surdo
Amanhã é dia de poesia
E de rolar na cama e cair
E fugir de qualquer coisa chata
Que amanhã seja todo dia
E você faça do seu dia
Um mundo melhor



Escrito por Talita Olivieri às 21h12
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Tragetória

Muita coisa mudando
Decantando
Nem vejo com clareza
ao certo
sua totalidade
Mas sei que algo flui
Evolui(í)
Uma certa fé me faz
ter essa certeza
De que posso mais
Sou mais
que tudo isso
Sou mais
que o pouco que sou
Sou mais
do que acredito ser
Posso ser mais do que aceito
Sou um total de coisas em constante evolução
Superação
Libertação
Liberdade
Livre
Me repeti
E aceito
Estou fluindo
Não flutuo mais
Sou mais



Escrito por Talita Olivieri às 21h11
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Contranarciso

Em mim
eu vejo o outro
e outro
e outro
enfim dezenas
e trens passando
vagões cheios de gente
centenas

o outro
que há em mim
é você
você
e você

assim como
eu estou em você
eu estou nele
em nós
e só quando estamos em nós
estamos em paz
mesmo que estejamos a sós

(Paulo Leminski)



Escrito por Talita Olivieri às 21h04
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Desperte

Na dúvida durma
e dormindo duvide
da vida que espera
o dia seguinte

E no despertar
continue duvidando
de um tanto
que um dia foi muito
hoje apenas um sopro

O pouco que sobra
incerto
que seja verdade
duvido
se um dia tem volta
insisto
e desperto dormindo



Escrito por Talita Olivieri às 18h50
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Abismo no peito

Estou de luto 
Alguma coisa em mim morreu
Acho que foi aquele amor que se foi
Levou com ele minhas esperanças
E o acreditar na vida
Estou de luto
Empapuçada do mundo
Andando meio sem rumo
Vivendo a esmo e juntando os cacos
Em que me desfiz
quando você me jogou
das nuvens, sem aviso prévio
nem seguro desamparo
Estou de luto
sem vontade de lutar
sem inocência pra seguir
sem crença nenhuma
E um abismo no peito
onde quero me jogar 
e sucumbir.



Escrito por Talita Olivieri às 18h48
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A metade de fora

Já te esqueci 50%
A metade de fora
Minha pele não sente 
mais sua falta
Meus cabelos não pedem 
mais seus carinhos
Mas minhas entranhas
gritam, dilaceradas
com toda força
por você
Minhas retinas
turvas, pedem
a sua imagem
a todo instante
Minha imaginação
já te beijou, te possuiu
infinitas vezes
E minha alma
conversa com a sua
todas as noites
e vela seu sono.



Escrito por Talita Olivieri às 18h37
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